Saúde Pública // Trabalhadores da agricultura familiar


Trabalhadores da agricultura familiar participam de ação de saúde

Objetivo foi orientar os agricultores sobre medidas para prevenir câncer de pele e contaminação por agrotóxicos.


BRASÍLIA (13/04/16) – Diagnosticar casos de intoxicação causados pela exposição aos agrotóxicos em agricultores familiares foi o principal foco da ação realizada na terça-feira (12), em Sobradinho, pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), da Secretaria de Saúde. Aproximadamente 50 trabalhadores foram submetidos aos exames de sangue e os resultados devem ficar prontos em 30 dias.

"Os riscos de quem lida diretamente com agrotóxicos vão muito além do que se possa imaginar. Se for uma intoxicação que ocorra no momento da utilização do produto, os sintomas são dor de cabeça, irritação na pele, náusea, vomito e dificuldade na coordenação motora. Em caso de exposições frequentes, a longo prazo, pode haver a contaminação sanguínea e até o desenvolvimento de câncer", alertou a coordenadora da ação pelo Cerest, Joseane Preste de Souza.

Segundo ela, os trabalhadores rurais usam os agrotóxicos, muitas vezes, inapropriados para o tipo de lavoura que trabalham. Além disso, não fazem o uso de equipamentos de proteção necessários para que não se contaminem, como luva, boné e camiseta com mangas cumpridas.

Um exemplo é Valdir Rodrigues, que trabalha há seis anos na agricultura e mora do Assentamento Contagem. Com apenas 20 anos de idade, o jovem  diz que já apresenta sintomas no momento da aplicação dos agrotóxicos nas lavouras de mandioca, quiabo, maxixe e outros. "Sinto dor de cabeça após a aplicação do produto. Comecei a sentir esse sintoma há aproximadamente seis meses. Acredito que possa ser, sim, o início de alguma contaminação", disse o Valdir.

Outro agricultor, que mora em uma chácara na Rota do Cavalo, é José Chaves Pessoa, 53 anos. O homem trabalha desde criança na agricultura familiar e há mais de 12 anos lida diretamente com o produto químico. "Não apresento nenhum sintoma, mas posso, sim, ter alguma contaminação, porque trabalho há muito tempo com os produtos", disse.

No evento, na sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), os agricultores também tiveram acesso a exames de aferição da pressão arterial e glicose, avaliação clínica dermatoses e palestras sobre Aedes Aegypti e saúde mental.

A médica da família e comunidade do Assentamento Contagem, Luisa Portugal, destaca que muitos agricultores rurais não procuram os serviços de saúde. "Nosso serviço funciona porta aberta para todos eles. Mas muitos só estou conhecendo aqui. Por isso, é importante essa busca ativa", disse.

A ação teve o apoio dos programas de Vigilância de Intoxicação Exógena (Vigitoxe) e dos agravos da Pele Relacionados ao Trabalho (Vigipele), ambos do Cerest, do Hospital Regional de Sobradinho, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Equipes Estratégia Saúde da Família e Laboratório Central (Lacen).

NÚCLEO RURAL CARIRU - Na última quarta-feira (6), a equipe do Cerest esteve no Núcleo Rural Cariru, no Paranoá, para alertar os trabalhadores rurais sobre os perigos da exposição solar excessiva sem a devida proteção. A ação na região foi um pedido da médica da equipe de Atenção Primária à Saúde, Sinara Menezes Nogueira. "Essa foi uma grande oportunidade de conhecer o programa e estabelecer parceria com o Cerest para ações de vigilância em saúde do trabalhador na nossa região", destacou.

Cerca de 20 trabalhadores participaram do evento. Eles receberam orientações sobre cuidados para evitar o câncer da pele e formas de proteção solar também passaram avaliação dermatológica.

Além dos técnicos do Cerest e da equipe de saúde da família da região, participaram do evento alunos do curso de medicina da Universidade de Brasília - UnB (participantes do Programa de Estágio Supervisionado em Saúde do Trabalhador no Cerest-DF).